O fim do design viciante: a proteção dos jovens nas redes sociais

2026-09-17

O Parlamento Europeu, em Estrasburgo, aprovou o relatório do deputado Sandro Ruotolo (S&D) sobre a proteção dos jovens nas redes sociais por 395 votos a favor, 136 contra e 80 abstenções. A resolução apela à proibição do «design viciante» das plataformas, a um regime especial para menores e a regras mais rigorosas para os influenciadores e as aplicações de IA. As quatro frações democratas (PPE, S&D, Renew, Verdes/EFA) votaram a favor, enquanto a extrema-direita (ECR, PfE, ESN) votou maciçamente contra.

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O Parlamento Europeu, em Estrasburgo, aprovou uma resolução não legislativa sobre o impacto das redes sociais e do ambiente online nos jovens. Trata-se de um relatório de iniciativa própria (INI) da Comissão da Cultura e da Educação (CULT), elaborado pelo relator Sandro Ruotolo (S&D). O plenário aprovou-o por 395 votos a favor, 136 contra e 80 abstenções — ou seja, de longe não sem resistência.

A resolução solicita que as plataformas integrem a proteção da privacidade e a segurança das crianças já na fase de conceção do produto e apela à proibição do chamado «design viciante» — a navegação infinita, a reprodução automática de vídeos e os mecanismos de recompensa nos jogos, que visam manter os utilizadores online por mais tempo do que eles próprios desejam. Propõe um «modo para menores» específico, que bloquearia a publicidade direcionada e limitaria as funcionalidades que promovem a utilização compulsiva por parte de menores, um código de conduta europeu para influenciadores e normas éticas para aplicações do tipo «companheiro de IA», incluindo a proibição de sistemas que gerem conteúdo sexualizado de crianças sem o seu consentimento. O relator Sandro Ruotolo (S&D) afirmou, durante a discussão do relatório em comissão: «A responsabilidade pela segurança das crianças e dos adolescentes deve recair, acima de tudo, sobre aqueles que concebem e gerem as plataformas digitais.»

As quatro principais frações democratas votaram a favor da resolução, de forma muito clara. O S&D votou de forma totalmente unânime, sem um único voto contra ou abstenção — o que é lógico, uma vez que o relator pertence a esta fracção. Os Verdes/EFA votaram a favor, sem um único voto contra, apenas com algumas abstenções. O PPE apoiou o texto por esmagadora maioria, com apenas alguns votos contra ou abstenções isoladas; a sua participação na votação (83,7 %) foi a mais baixa das quatro frações democráticas. O Renew também apoiou a resolução, embora com uma unidade interna ligeiramente menor do que os restantes três grupos. Na comissão, o relatório foi co-negociado pelos relatores-sombra Sunčana Glavak (PPE), Hristo Petrov (Renew) e Diana Riba i Giner (Verdes/EFA).

Por outro lado, a extrema-direita opôs-se — o ECR, o PfE e o ESN votaram de forma unânime, cada um com elevada unidade interna. O ECR e o ESN manifestaram a sua oposição principalmente através de votos ativos contra. No caso do PfE, porém, é necessário ser preciso: o grupo não teve um único voto a favor, mas, em vez de votar contra, cerca de dois terços dos votos expressos optaram por abstenção; apenas uma minoria dos seus deputados votou ativamente contra. Todas as três frações de extrema-direita tinham, aliás, os seus próprios relatores-sombra na comissão e participaram nas negociações do texto — mas, no plenário, acabaram por rejeitá-lo de forma massiva.

A participação global na votação atingiu 85,2 % (611 dos 717 lugares ocupados). A participação mais elevada registou-se no ESN (92,6 %), seguido de perto pelos Greens/EFA (92,5 %); a mais baixa foi a de The Left (81,8 %), próxima da do PfE (82,1 %).

A votação não deve ser confundida com a chamada «EU Kids Act» — uma proposta legislativa distinta da Comissão Europeia, que foi apresentada no mesmo dia. Trata-se de um ato separado de outra instituição, ainda no início do processo legislativo; a resolução de hoje do Parlamento não tem caráter legislativo e limita-se a recomendar à Comissão a direção que a regulamentação deve seguir.

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